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Bovinamente demente

A vaca, ruminando intrigas, perseguindo pobres criaturas indefesas, estava calada. Constrangida por sua incapacidade reprodutiva, pela sua obsolescência ante as novilhas, a vaca desesperou-se. Mugiu, correu, destruiu a cerca, correu atrás das crianças humanas, mugiu, mugiu e mugiu de novo e ninguém deu-lhe atenção. Seus métodos já não causam mais efeitos.
Seu couro, já envelhecendo, estragado pela alimentação e quase sem utilidade, evidenciava o quão pobre se tornou. O pasto, verdejante, já não podia dar-lhe prazer. Os touros que tentou conquistar já não a querem e o seu fim, por completa inutilidade, era o abatedouro. A construção simples onde se faz o abate já estava pronta – construção especialmente preparada para o fim dos retalhos bovinos de inúteis como ela.
Num fim de tarde belo, quando o cheiro do pasto verde confundia-se com os tons alaranjados de um céu de verão, deu-se conta, a demente vaca, que seu fim, inevitável, estava logo ali. Já não mais adiantava mugir. Não adian…

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