24h na vida de uma mulher

Piazza San Marco. Renoir
A vida de uma mulher é interessantíssima! Com todas as idas e vindas de uns tantos quereres e uma formas estranhas de manifestação de seus desejos e apreços, a vida feminina pode ser carregada de ostracismo, rotina, volúpia, timidez e beleza. Não é fácil, porém, chegar a uma definição única de como é o período existencial feminino porque a complexidade das conexões entre realidade fantasia misturam-se em uma teia repleta de mistérios desvendáveis, para aqueles que e dispõem.
E o que dizer quando uma mulher sai de sua vida fechada para abstrair-se em uma aventura completamente irracional e desapegada de todos os bons conceitos morais? Para responder a essa indagação é necessário, mas não suficiente, conhecer algumas mulheres. De todos as formas possíveis, é preciso mergulhar em seus abismos emocionais e deslocar-se para dentro de suas mentes e preconceitos. Mulheres loucas, amantes incondicionais, inexplicáveis, belas, feias, inteligentes, duvidosas, estranhas...Caindo em seu mundo e se colocando em seu lugar desde as situações mais simplórias até às mais complicadas é que se pode ter uma ideia de suas atitudes. 
Não são seres difíceis de lidar  ou complicadas demais para entendê-las, são apenas normais, até onde a definição de normal permitir, mas que a preguiça de tentar compreender é que dificulta qualquer entendimento. Passar vinte e quatro horas na vida de uma mulher é um presente que o autor Stefan Zweig distribuiu ao mundo  através de  sua simplicidade genial ao tratar de um tema polêmico. 
Com uma linguagem direta e sem modismos é possível entrar na psiquê de uma mulher e ver, sob sua própria óptica, como nasce e morre um grande amor e todos os "problemas" e consequências que dele decorre. Além das artimanhas e pudores que cercam os atos femininos. Passar 24h no intenso dia de uma mulher é um prazer inenarrável que faz-nos refletir sobre determinados pontos do cotidiano ao lado de uma mulher.
Diferentemente de "Comer, Rezar e Amar" de Elizabeth Gilbert, a novela de Stefan Zweig é leve e mostra mais que o romance de Elizabeth Gilbert, pois retrata as emoções, paixões e aspirações não de uma única mulher, mais de uma forma generalizada e complexa apesar das 102 páginas não é de se espantar que Freud adorava essa obra: ela retrata algo além da própria mulher e de suas relações, transcende as explicações e leva-nos direto para o nosso inconsciente em uma incontida reflexão.
Vale à pena uma olhadela na intensa vida de uma mulher durante 24h!

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