Perfeição

                  The White Water Lilies. Claude Monet
Não raro, podemos encontrar indivíduos que prezam por uma perfeição estranha, que deforma a realidade para  que o impossível de prender o mundo em uma caixa de fósforo seja o padrão correto e imutável da tal situação. Para tal dever chegam aos extremos, destroem histórias pessoais, próprias e de outros, agridem-se, mutilam-se, física e emocionalmente, dilaceram suas próprias formas de vida em mecanismos estáticos da grande engrenagem vital.
E para quê estar dentro de uma padronização ridicularizada pelos acontecimentos mundanos quando um mundo de experimentos e aprendizado está à disposição de qualquer e de todos?
Prender-se a um ou outro modelo é uma perda irreparável de tempo e vida na qual nada poderá ser reaproveitado ou transmitido ao longo das gerações. Nem religião, nem modismos, nem amores, nem inimigos, nem casos fortuitos poderá fazer do cotidiano um lugar abstraído, no qual não existe problemas ou decepções para fazer do sol um incômodo constrangedor. 
É preciso mais raridade! 
Necessitamos, com urgência, de uma quebrada na rotina, de mais bermudas nas ruas e escritórios, de amores de final de semana e gastos financeiros com bobagem e divertimento. Enquanto prendemo-nos a algum preconceito, a vida corre galopante entre os carros congestionados, distribuindo a todos o doce prazer da gargalhada musicada pelos ventos vindos do litoral e do interior simplório. 
Desperdiçamos energia na busca por uma perfeição que não nos cabe, tampouco nos quer ou existe, pois  idealização de algo, ou alguém, perfeito é simplesmente uma doença criada e sempre gera as incompreensões mudas pelas mágoas, malentendidos e com os desesperos mentais cujo nome assume muitas formas gráficas, como depressão.
Perfeição para quê se o melhor é cair no vão do improviso e remediar, quando for o caso, as sequelas de uma vida bem vivida!    

Postagens mais visitadas