A vulgaridade do dia dos namorados

Obra: artista turco Aykut Aydoğdu. Pinterest.

A vulgaridade do dia dos namorados é completamente cômica, irritante e deprimente. A comicidade dessa data carnavalesca encontra-se no fato de que as mulheres são presenteadas com verdadeiras alegorias que, além de bregas, carregam o estereótipo cultivado entre a mentalidade infantil de homens sem criatividade e mulheres sem nenhum senso de ridículo. É evidente que existem exceções. A irritância dessa data está alojada em todas as falsidades e verdades que todos carregam, nas verdades irrefutáveis que segregam que enxerga além de um embrulho e de uma coletividade tomada por emoções capitalistas. Aliás, essa história de data capitalista é totalmente verídica, mas solicitá-la para justificar qualquer ação é meramente um ato de esconder a falta de argumentos do por que não gosta do carnaval que é o doze de junho. Deprimente: é toda aquela mania de achar que o mundo gira em torno de uma única pessoa e cuja vida é o combustível para toda a poesia do Universo. É muita maluquice para poucas vinte e quatro horas.
Como se isso fosse pouco, a ilusão de uma fidelidade sempre a flor da pele leva milhares de pessoas as decepções mais estranhas que se tem notícia. Há pouco, em um certo lugar, a namorada de alguém flertou, sob as barbas desse alguém, com outro ser. Assim nascem os futuros Ex’s. Afora isso, ainda têm as promessas de eternidade, efêmeras. Têm os pagamentos extras doados aos namorados, pelas namoradas, como se eles fossem merecedores e, elas, a melhor coisa do mundo. E é aí que mora a vulgaridade.
Amor confundido com sexo, graças em parte à propaganda de motéis. Mulheres submissas ainda mais em nome de um amor. Pessoas que são chamadas de amor como se a nomenclatura por si só fosse um título de honra. Pode até ter sido, no passado, quando a vulgaridade ficava no limite da banalidade e dos apelidos.
O dia, felizmente, não é dos namorados, mas de quem ama na surdina, de quem guarda lembranças de amores passados que, apesar dos desentendimentos, se tornaram eternos por suas imperfeições. É da verdade e da sinceridade que, dita baixinho, acabaria com a farsa que é a maioria dos relacionamentos.
Para quem tem consciência de si, de seus presentes tatuados na mente e no fundo da inconsciência, hoje é sim o Dia. Aos normais, banais que enchem de futilidades mulheres e homens sem cultura e sem noção de sentimentalismo, hoje é mais um dia de troca, apenas.




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