Da ciência e da rua

Fonte: The Marabout. Henri Matisse. 1912

Durante a ditadura o governo misturou bandidos sem instrução com presos políticos, muito bem instruídos e organizados. E o resultado foi o crime organizado. 
É das entranhas da Ditadura Militar que surgiram o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital - é só olhar os lemas e slogans primevos que veremos rastros daquela época.
O mesmo processo de unificação do conhecimento das ruas com o conhecimento científico pode ser visto hoje, em alguns indivíduos.
Da rua aprende-se a não ter medo, não importa do quê; aprende-se a enfrentar os golias, as drogas e a prostituição; aprende-se a sujar para não ser sujado, de sangue e de lama. É na rua que se forja o bandido interior.
Das salas de aula aprende-se a usar o português, as ciências e a arte da sutileza; nas carteiras escolares alfabetiza-se o bandido interior e cria-se o refinado.
Juntos, tem-se o corrupto, o mafioso, o traficante de alto escalão, 
E é por isso que não se deve aceitar que lhe batam à cara, cuspam-lhe em suas vestes ou que achincalhem-lhe. O bandido rueiro não leva desaforo para casa e a religião, pilar que divide os sociopatas dos "saudáveis" só tem valia em raros casos.
O ser refinado que foi moldado nas escolas serve para eventos de gala, cerimônias formais, paletó e gravata. E sempre dar lugar ao vingador interior.
Um homem pode ter duas facetas e sobressair-se muito bem se souber usar as duas.
Todos, que um dia viveram tempo demais pelas ruas, têm.
E é por isso que, não raro, só Deus ou Diabo, e mais ninguém, podem com esses indivíduos.

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