Matilhas sociais

Foto: Arte Assíria. Fonte: uol história

Caminhando pelo Juca Sampaio, rente à linha férrea, vendo os regalo aos orixás e eguns de um lado e observando as fracas obras de infraestrutura que ora fingiam desenrolar no outro lado da estrada de ferro, deparei-me com uma matilha de cães abandonados sobre uma gramínea, onde outrora era domínio do trem. 
Ao ver-me o cão alfa acompanhou-me, arregalou os dentes até que pude sentir o bafo quente do animal. Parei, virei-me e esperei que ele terminasse o espetáculo para os asseclas do bando. Finda a intimidação, persegui-o até pô-lo longe e segui meu caminho.
Os valentões só demonstram força contra quem imaginam desprovido de força.
E como aqueles animais é possível encontrar matilhas de cães nos mais diversos ramos da sociedade, exercendo e usufruindo os poderes do Estado como se fossem a fonte originária do poder e da moralidade.
As matilhas atacam a democracia, atentam contra os pobres, escarnecem das leis e humilham o povo. A ironia é que as matilhas formam, também, o povo.
Juntos, os pobres, os pretos, os gays, os conscientes, os honrados e dignos podem destruir as matilhas que se arvoram portadores do Direito. É preciso apenas coragem para provocar a distopia necessária.
Dispersar os cães foi fácil. Fazer o mesmo com as matilhas que destroem as comunidades é mais difícil - ao tentar fazer o mesmo eu sou tido como "facínora" por aqueles que se vendem por músculos, dinheiro e um prato de comida.


Postagens mais visitadas