Veneno

Uma historinha em que a princesa é ingênua, boba e indefesa; o príncipe é másculo e dotado de todas as melhores qualidades cavaleirescas e que a rainha é má e amarga por natureza não fazem parte da história de Branca de Neve em Veneno.
A rainha má é má pelas circunstâncias e, na superfície e no fundo, é só uma mulher levada a extremos por sua herança cultural. Branca de neve é uma princesa capaz de domar os mais bravos garanhões, toma banho nua na floresta e é sonsa; o príncipe é mimado, falso, mulherengo e vaidoso e o caçador não é o que parece.
Em Veneno o leitor encontrará como a história de Branca de Neve chega o mais próximo possível da realidade sem os devaneios da Disney. Mulheres reais com relações e medos reais permeiam e dirigem o enredo do livro. Sarah Pinborough reescreve o clássico "infantil" de forma clara e sem os floreios que se tornaram tão naturais da história. 
Embora tenha um começo cansativo, chato e clichê, Veneno até que surpreende por sua originalidade e é uma boa leitura para todos aqueles que querem a história como ela poderia ter sido, caso fosse real. Pinborough chega a tal ponto em sua narrativa que é possível ler, nas entrelinhas e sob a fantasia, a realidade de diversas mulheres em todo o mundo. Sem ser feminista, tendenciosa ou radicalista, Sarah demonstrou que a literatura clássica pode muito bem servir de base para a educação de homens e mulheres enquanto desenvolve o gosto pela leitura.

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