"Amor" de etiqueta

Obra: Fishing Boats, Collioure. André Derain. 1905. Metmuseum.

Há quem compre o afeto - e depois o "amor" - com presentes e promessas. Conheço uma mulher que resolveu comprar o "amor de sua vida" através do empréstimo do carro, realizando as fantasias sexuais do amante e contribuindo para a formação acadêmica do rapaz, em uma relação quase incestuosa  - uma vez que o rapaz é dez anos mais jovem. O homem da relação, mesmo não tendo dinheiro e nenhum tipo de compromisso com ela, notadamente leva o relacionamento adiante por ser cômodo, nas circunstâncias em que está envolvido. Ela acredita estar sendo amada. As pessoas gostam de se iludir.  E é nessa história de ilusão que observo um outro casal que, depois de décadas vivendo no limite, porque tiveram uma origem semelhante ao casal descrito anteriormente, só podem existir como unidade graças à distância e à tolerância. 
O "amor", como gostamos de classificar certos tipos de sentimentos que sustentam determinadas e fracassadas relações, pode até ser comprado por um período de tempo; pode ser remodelado para suprir algumas carências crônicas que surgiram de uma educação familiar desequilibrada e precária. Porém, esse "amor" comprado não subsiste muito tempo longe das novidades, distante de provocações. E, geralmente, ancora-se em traições e na mascarada falta de respeito para com o cônjuge ou namorado(a). 
Afeto mesmo, que é capaz de tudo suportar, precisa ser conquistado através das adversidades e da resistências às vicissitudes que só o tempo revela, cria e multiplica. O resto nem pode ser classificado como paixão - porque para ser paixão precisa haver desejo, lascívia e vontade. 
Depois não reclame, nem esbraveje nem processe, daquele(a) que não corresponde ao seu "amor" comprado. Você escolheu ser medíocre e rotular-se como a pior pessoa do mundo quando decidiu, por livre e espontânea vontade e extrema preguiça, comprar aquilo que deveria ser gratuito e espontâneo.

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